MEP debate <br>a erradicação da pobreza

No Dia Internacional da Justiça Social, assinalado a 20 de Fevereiro, o Movimento Erradicar a Pobreza (MEP) anunciou uma campanha nacional sob o lema «Direitos Humanos e erradicação da pobreza», numa sessão/debate que teve lugar no Fórum Lisboa e contou com a participação de Inês Fontinha, directora da Associação «O Ninho» e de D. Januário Torgal Ferreira, bispo emérito das Forças Armadas.

«Erradicar a pobreza só depende da vontade política», afirmou o bispo, adiantando de que para tanto «é necessário um modelo económico e social totalmente diferente daquele que tem governado» o País. «Há agora algo, mas está a dar passos muito pequenos», considerou.

Reconhecido em 1995 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e adoptado por unanimidade dos Estados em 2009, o Dia Internacional da Justiça Social tem por objectivos a promoção do pleno emprego, a erradicação da pobreza, a promoção da igualdade social e de género. «Objectivos que, em 2017, estão muito longe de estarem cumpridos e concretizados», disse Inês Fontinha, adiantando que «não há em Portugal 2,5 milhões de pessoas em risco de pobreza. Há 2,5 milhões de pobres. Quem ganha o salário mínimo nacional (SMN) e paga 300 euros de renda de casa é pobre. Quem vive com o rendimento social de inserção (RSI), fixado em Janeiro deste ano, em 183,84 euros para o primeiro titular e 50 por cento deste valor se tiver filhos menores, é pobre.»

«Luta-se contra a pobreza com muitos meios, mas só se acaba com a pobreza, acabando com a injustiça social», explicou D. Januário Torgal Ferreira, questionando: «Porque não subiu o SMN para 600 euros? Se há dinheiro para colocar nos bancos?».

Rostos invisíveis

Criticando o sistema por sujeitar os que vivem do RSI «à fiscalização da sua pobreza», a directora de «O Ninho», deu nota de que «o plano de inserção não é cumprido e as pessoas vão perdendo a esperança e sendo atiradas para um abismo sem fundo. A pobreza é o silêncio da humilhação, da tristeza. Os números escondem rostos invisíveis esquecidos por quem governa este País.»

«Em que mundo vivemos para ficar indiferentes aos dramas que atingem a humanidade?», perguntou Inês Fontinha. «Porque se fala tão pouco em justiça social», interrogou por seu turno o bispo emérito das Forças Armadas. Ambos concordando em que há na pobreza a exclusão social, a exclusão da cidadania.

«Uma esmola pode curar uma situação, mas não cura o sistema», defendeu D. Januário Torgal Ferreira que, apontando o dedo aos próprios católicos, questionou: «os pobres têm fome. Mas têm fome porquê? O assistencialismo não é solução. O que é necessário é curar as causas da pobreza.»

Na sexta-feira, 24, a campanha do MEP esteve em Câmara de Lobos, Madeira, e vai promover, no próximo dia 11, um debate na cidade de Famalicão. No dia 8 de Março o MEP associa-se à União de Sindicatos de Lisboa e trará o tema para a rua. É que as mulheres portuguesas são as mais atingidas pela pobreza, permanecendo ainda as desigualdades salariais e sendo quase sempre as responsáveis pelo ganha pão nas famílias monoparentais.




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